PF prende Márcio Canella e ex-chefe da Polícia Civil do RJ em operação que investiga esquema de R$ 7,6 bilhões
Oitava fase da Operação Unha e Carne cumpre seis mandados de prisão e atinge 112 empresas suspeitas de envolvimento em lavagem de dinheiro; ações também ocorreram em Armação dos Búzios, na Região dos Lagos.
Reprodução Internet A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (15), a oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga a atuação de uma organização criminosa suspeita de movimentar mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos, por meio de um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis no estado do Rio de Janeiro.
Entre os presos estão o deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), e o delegado Marcus Vinicius Amim Fernandes, ex-secretário estadual de Polícia Civil do Rio de Janeiro.
As prisões foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e fazem parte do aprofundamento das investigações sobre possíveis ligações entre agentes públicos, empresários e organizações criminosas.
Operação atinge sete municípios, incluindo Búzios
Ao todo, a Polícia Federal cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 16 mandados de busca e apreensão, além de medidas de bloqueio de bens e valores.
As diligências ocorreram em sete municípios fluminenses: Rio de Janeiro, Niterói, Nova Iguaçu, São Gonçalo, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios, na Região dos Lagos.
A Justiça também determinou a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas investigadas. Desse total, 96 são postos de combustíveis que, segundo a PF, teriam sido utilizados para ocultar e dar aparência de legalidade a recursos de origem criminosa.
A presença de Búzios entre os municípios onde foram cumpridos mandados chama a atenção para o alcance territorial da investigação. Até o momento, não há detalhamento confirmado sobre os alvos específicos das diligências realizadas na cidade.
Esquema suspeito de movimentar bilhões
De acordo com a Polícia Federal, um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, associadas à rede investigada.
As apurações apontam suspeitas de participação de agentes públicos e utilização de influência político-institucional para favorecer o funcionamento da organização.
Além de lavagem de dinheiro e organização criminosa armada, os investigados poderão responder por crimes como corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, comercialização irregular de combustíveis e formação de cartel, conforme a apuração da PF.
A investigação ainda está em andamento, e as suspeitas não representam condenação dos envolvidos.
Márcio Canella foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio
Márcio Canella, presidente estadual do União Brasil e ex-prefeito de Belford Roxo, foi eleito deputado estadual nas eleições de 2026, recebendo 197.178 votos e conquistando a segunda maior votação para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
O político já havia sido preso em julho deste ano, durante uma etapa anterior da Operação Unha e Carne, após agentes federais encontrarem um fuzil em seu veículo. Posteriormente, ele obteve liberdade mediante decisão judicial.
Marcus Amim também havia sido alvo de investigações na fase anterior da operação.
Outros investigados também foram presos
Além de Canella e Amim, outros quatro homens foram presos durante a ação desta quinta-feira, entre eles agentes da Polícia Civil e um secretário municipal de Belford Roxo.
A Corregedoria da Polícia Civil acompanhou o cumprimento das ordens judiciais envolvendo integrantes da corporação.
Até a apuração desta reportagem, não havia posicionamento das defesas dos principais investigados nas fontes consultadas. O espaço permanece aberto para manifestações.
Investigação continua
A oitava fase da Operação Unha e Carne representa um novo avanço das investigações federais sobre a possível utilização do setor de combustíveis para movimentação e ocultação de recursos ilícitos no estado do Rio.
A Polícia Federal deverá continuar analisando documentos, movimentações financeiras e materiais apreendidos para identificar a extensão do esquema e a eventual participação de outros envolvidos.
O Serramar News acompanha os desdobramentos da operação, especialmente as diligências realizadas em Armação dos Búzios e seus possíveis reflexos na Região dos Lagos.





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